Este conteúdo é de autoria de um hospital associado à Anahp

Infectologista do Hospital Anchieta faz alerta no Dia Mundial de Combate à Tuberculose

No próximo sábado (24/3), é celebrado o Dia Mundial de Combate à Tuberculose. Segundo informações do Ministério da Saúde, o Brasil é um dos países com maior número de casos no mundo. Embora seja uma doença com diagnóstico e tratamento realizados de forma universal e gratuita, acontecem aproximadamente 69 mil casos novos e mais de quatro mil óbitos a cada ano como causa básica a tuberculose, principalmente entre populações mais vulneráveis, como os indígenas, pessoas privadas de liberdade e em situação de rua.

Em 2015, a tuberculose superou a AIDS como a doença infecciosa com mais vítimas mortais e não parece que perderá esse posto em médio prazo. De acordo com o relatório mundial de 2017 sobre a tuberculose, apresentado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), quase 1,7 milhão de pessoas perderam a vida em 2016 por culpa dessa antiga doença, e 374.000 delas também tinham AIDS.

“A tuberculose é uma doença infectocontagiosa potencialmente grave, transmitida pelo ar, que pode atingir todos os órgãos do corpo, em especial nos pulmões. O micro-organismo causador do problema é o bacilo de Koch, cientificamente chamado Mycobacterium tuberculosis”, explica o infectologista do Hospital Anchieta, Manuel Palácios.

Transmissão e sintomas

Segundo o especialista, geralmente a doença é transmitida pelo ar contaminado. O indivíduo sintomático com a tuberculose nos pulmões, ao tossir, espirrar ou falar, espalha no ambiente gotículas contaminadas, que podem sobreviver, dispersas no ar, por horas, desde que não tenham contato com a luz solar.

“A pessoa sadia, respirando no ambiente contaminado, acaba inalando esta micobactéria que se implantará num local do pulmão. Em poucas semanas, uma pequena inflamação ocorrerá na zona de implantação. Não é ainda uma doença. É o primeiro contato do germe com o organismo (primoinfecção). Depois disso, esta bactéria pode se espalhar e se alojar em vários locais do corpo”, esclarece o médico.

Os sinais e sintomas mais frequentes são comprometimento do estado geral, febre baixa vespertina com sudorese intensa, inapetência e emagrecimento. A forma pulmonar apresenta-se com dor torácica, tosse inicialmente seca e posteriormente produtiva, acompanhada ou não de escarros com sangue (chamada “hemoptise”).

“Nas crianças, é comum o comprometimento ganglionar mediastínico e cervical (forma primária). Nos adultos, a forma pulmonar é a mais frequente. Pode afetar qualquer órgão ou tecido, como pleura, linfonodos, ossos, sistema urinário, cérebro, meninges e olhos. A forma extrapulmonar é mais comum nos hospedeiros com pouca imunidade, surgindo com maior frequência em crianças e indivíduos com infecção por HIV”.

Prevenção

Há duas formas de se prevenir: vacina e ações preventivas. A vacina BCG (bacilo de Calmette-Guérin) é obtida pela atenuação do bacilo tuberculoso, sendo capaz de induzir a resistência ao indivíduo sem transmitir a doença. É feita no primeiro mês de vida, fornecendo proteção duradoura em 80% dos casos. A imunidade não é duradoura, tendo como tempo máximo de um ano, e por este motivo não se faz de rotina para indivíduos maiores de 1 ano.

“Como ações preventivas é importante evitar locais com aglomeração de pessoas sintomáticas respiratórias (pessoas que tem tosse há mais de 2 semanas). Em caso de ser contato de pessoa diagnosticada com tuberculose pulmonar (mora na mesma casa ou fica mais da metade do dia em contato com a pessoa doente), recomenda-se pesquisa com teste PPD (intradermorreação) e quando “reator”, deverá tomar quimioprofilaxia com Isoniazida por seis meses”, conclui Dr. Manuel.

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