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Método para obtenção de melhorias e tema de Café da Manhã


Diante da franca degradação da saúde em todo o mundo, melhorar é uma necessidade imperativa para todas as instituições. Pensando nisso, o Café da Manhã Anahp desta terça-feira (03), feito em parceria com a Cremer, convidou Seméia Corral, gerente de qualidade e melhores práticas do Hospital do Coração de São Paulo, o HCor, para falar sobre o a “Ciência da melhoria: um método científico para realizar mudanças que geram resultados”.

Seméia é doutora em Ciências da Saúde e educadora da metodologia da JCI - Joint Commission International -, e detalhou durante o evento a metodologia de melhorias desenvolvida pelo Institute for Healthcare Improvement, ou IHI, e que pode ser acessada no site Open School. Também falou um pouco da experiência do HCor no tema.

“Infelizmente a saúde passa por uma calamidade mundial. Em países desenvolvidos, um em cada dez pacientes é prejudicado ao receber cuidados hospitalares”, ponderou Seméia. “São 12 milhões de pacientes por ano que enfrentam erros de diagnóstico na assistência ambulatorial, metade com potencial para causar danos.”

Segundo tabela da JCI para os chamados “eventos sentinela” – em que uma ocorrência inesperada ou processo problemático resulta em óbito, lesão física ou psicológica ao paciente –, fatores humanos, falta de comunicação e liderança equivocada foram as três principais razões de falhas. Além disso, a “indústria” da saúde aparece como uma das maiores responsáveis por erros e de menor eficiência, se comparada aos setores de manufatura, varejo, bancário, TI e telecomunicações, entre outros.

Se a filosofia do “errar é humano” perdurou por muito tempo no sistema de saúde, atualmente ela passa longe de ser aceita. A intolerância ao erro e a exigência por qualidade são cada vez maiores.

Aprender para acertar
Se ainda temos um longo caminho a percorrer, para Seméia ao menos já avançamos bastante com a assistência baseada em evidências. Infecções hospitalares já foram um problema bem maior, e as tecnologias de rastreamento de medicamentos e materiais hospitalares reduziram a incidência de erros. Equipes de cirurgia treinadas foram capazes de reduzir a mortalidade em 50%, e processos de comunicação nas transições de cuidado de reduzir erros médicos em 23% e eventos adversos evitáveis em 30%.

As estratégias para melhoria passam por educação e engajamento de colaboradores e lideranças, de modo que as práticas diárias sofram interferência de uma cultura voltada à segurança e à qualidade. Eventos adversos devem ser analisados e acompanhados usando metodologias de desfecho clínico consagradas, como a ICHOM.

“É preciso olhar para os óbitos como aprendizado”, ponderou a gerente do HCor. “Erro e evento não fazem mais parte do jogo, temos que investigar a fundo, o que é um grande aprendizado para podermos melhorar nossa prática.”

A estratégia de melhoria do IHI passa por três elementos básicos: o desejo de melhorar, ter ideias sobre como o fazer e ter a capacidade de transformar estas ideias em mudanças reais. Portanto, a declaração do objetivo passa por quatro perguntas básicas: o que, onde, quanto e quando.

“Vontade de melhorar já é um grande ponto”, disse Seméia. “Não há nada que não possa ser melhorado, há sempre oportunidades para melhoria.”