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O fraco rei faz fraca a forte gente

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Dá para entender a natureza dos conflitos entre gerações, ocorram eles em uma instituição, comunidade, governo ou dentro de nossa casa. Basta cada um se colocar em posição defensiva: de um lado, aqueles que acreditam que o velho é bom porque somente o passado é sábio; do outro, gente que protege o novo porque ele é necessariamente melhor. E essa dispersão me preocupa. Atrasa a discussão que importa: que tipo de líderes teremos na Saúde, quando chegar a hora de entregarmos o bastão?

Tanto na iniciativa pública, quanto no setor privado, o desenvolvimento de fortes lideranças do futuro é uma responsabilidade intergeracional, que deve ser compartilhada por gestores mais jovens e seniores. Uma evolução natural, que garantirá a continuidade de tudo pelo qual trabalhamos e lutamos. Sem traumas e rompimentos.

Vejo novos talentos surgirem na Saúde, nos fortalecendo com percepções, competências e instrumentais diferenciados, por exemplo, em tecnologia, governança e gestão de pessoas. Eles equilibram inovação e respeito pela obra construída até então. Possuem uma visão político-estratégica mais ampla e clara em relação ao mundo e ao setor. Pensam em sustentabilidade a longo prazo. E esse é o profissional que me encanta.

Não me refiro apenas aos profissionais de saúde que tradicionalmente assumem a gestão do setor. Muito pelo contrário. O acolhimento de profissionais de outros setores e formações, que tenham uma visão mais estratégica e menos operacional sobre os processos da Saúde, pode nos descolar dos modelos tradicionais de gestão, organização e assistência. Pode facilitar o progresso que nem as autoridades sanitárias deste País, nem os líderes institucionais do setor privado conseguem suscitar. Pode nos fazer melhores.

Ou, então, padeceremos conformados com as mesmas demandas, assistindo a representantes do poder público utilizarem seus postos como vitrine, e não para cumprirem suas atividades de gestão de saúde. O mesmo vale para líderes institucionais do setor privado que se vitimizam e nada fazem para mudar essa situação. Corremos o risco de nos perdermos em confrontos onde não há oponentes, e sim pares com bagagens distintas, que mais poderosas se tornariam se fossem combinadas.

“O fraco rei faz fraca a forte gente”, escreveu Luís de Camões em ‘Os Lusíadas’ (Canto III, 138). E esse não é o destino que almejamos para a nossa Saúde.

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